Recentemente teve o caso da guria de uma universidade, do abc paulista, que gerou uma certa polêmica.
O fato era de que ela havia ido à faculdade com um vestido curto, considerado inapropriado ao ambiente universitário, que gerou uma aglomeração seguida de gritaria e revolta por parte dos estudantes que frequentavam a universidade. Estes mesmos começaram a comentar sobre a moça e seu vestido e logo depois
á xingar, cantar musiquinhas e por ai a dentro, até ela precisar sair da faculdade escoltada por policiais e usando, por cima do vestido, um jaleco branco.
A primeira vez que vi o tal vídeo fiquei completamente sem reação alguma, incrédula. Terminei e vi novamente pra tentar confirmar se o que eu tinha entendido, que os alunos diziam e gritavam - tanto quando ela se refugiava numa sala de aula bem como quando a guria saía da faculdade rodeada por policiais - era aquilo mesmo que eles falavam. E era aquilo mesmo!!! A cena só não terminou pior, se é que da pra dizer alguma coisa desse tipo, pela chegada da policia e porque ninguém pegou pedras e atirou sobre a moça, apesar da cena ter sido um linxamento, praticamente.
Esse caso todo não é um absurdo, mas uma sucessão de absurdos. O primeiro, é óbvio, é a condenação da roupa de uma guria de 20 anos, o tal micro/mini/curto vestido. Quem condena? Piás e gurias que de certo nunca usaram ou apreciaram nada igual, parecido ou mais curto ainda! Pessoas que fariam o que foi feito com a colega de faculdade com qualquer outra pessoa usando uma peça similar na rua, num restaurante, num estádio, show ou micareta? “Ah não, mas o problema foi que ela usou esse vestido numa faculdade, desrespeitou o ambiente e as pessoas que freqüentam o lugar, inadmissível, ela só queria aparecer”.
Ah então já que ela desrespeitou vamos fazer melhor, vamos linxá-la, xingá-la, gritar insultos e persegui-la pra mostrar a atitude certa. Certíssimo.
Roupa-apropriada-para-um-ambiente-escolar, ainda essa afirmação me espanta uma vez que atualmente alunos, mulheres e homens, cada vez mais tem usado o que querem, como e a hora que querem. Ainda bem, afinal de contas isso mostra uma evolução, a qual não se prende mais em vestimentas, em uniformes ou padronizações mas sim pelo real motivo que te leva a faculdade: falar, mostrar e aprender sobre um assunto. Há, claro, roupas inadequadas para vários ambientes mas quem tem que se sentir mal ou um peixe fora d’agua ao usar, é única e exclusivamente a pessoa que a usa afinal todos ainda tem o direito de ir e vir e escolher o que querem ou não pra si. Se o tal vestido era curto demais, longo, vibrante, apagado ou desconfortável, dizia respeito à aluna. Só a ela. Outras pessoas podiam condenar, comentar, elogiar da forma como sempre acontece quando se nota uma pessoa usando algo considerado diferente, entre si. Normalmente pessoas que usam algo fora do, considerado, comum querem mostrar sim sua personalidade, seus gostos, querem sim “aparecer” e, qual o grande problema nisso? Até onde se saiba, ainda se pode sair com uma melancia presa ao pescoço pelas ruas, sem que peça-se em letras garrafais pra ser linxado.
O outro absurdo dessa história é a tal revolta ocorrer num país de clima tropical, quente, que tem por costume mulheres e homens usando pouca (ou nenhuma) roupa e que por esse mesmo fato é conhecido, internacionalmente, por um país sensual. É um país que tem como sua maior festa, um evento em que mulheres saem completamente sem roupa e que todos admiram como isso é bonito, belo e único, próprio daqui. Um pais que tem uma grade televisiva (com líderes de audiência) quase toda, voltada para presença de mulheres nuas ou semi-nuas nos palcos. Um país que cada vez mais contempla e, consequentemente, faz crescer as mulheres-objeto, mulheres-fruta, as capas de playboys ou ex-alguma-coisa. Um país que se orgulha desse título de sensual, das mulheres que tem, de como elas são conhecidas no exterior e que gosta de mostrar como isso é bom.
Nesse mesmo país, uma guria foi xingada por usar um vestido curto (comparativamente ao que se vê por ai, não tão curto assim) como se ninguém tivesse visto algo igual na vida e como se morássemos num país do oriente médio, aonde mulheres são obrigadas a andarem cobertas em sinal de respeito.
Finalmente, pra não dizer o pior já que não existe um só pior nessa história, o espantoso de tudo, foi o lugar aonde ele ocorreu e quem o fez. Não foram senhores e senhoras mais velhos, os quais reclamavam da moral e dos bons costumes. Nem ocorreu próximo à igrejas, com pessoas que poderiam se ofender com tais vestimentas. Tudo isso ocorreu numa universidade com jovens que espalham aos quatro ventos o quanto são cabeça abertas, o quanto essa geração de hoje é livre de preconceitos e de amarras sociais, o quanto a mulher evoluiu e está igual ao homem na sociedade. Foram jovens, jovens supostamente num lugar onde deveriam aprender noções de civilidade, moral, aonde deveriam condenar atitudes similares. Jovens que por terem a chance de freqüentar uma faculdade particular deveriam, supostamente, ter recebido educação, alguma noção de respeito ao próximo ou de certo e errado. Essa simples e brutal cena só mostrou como vivemos numa constante hipocrisia, uma hipocrisia velada.
De que serve encher a boca pra falar que estamos no século XXI, o quão evoluídos estamos, como a tecnologia atual era impensável há dez anos atrás, como as pessoas estão mais independentes, não mais presas a algum lugar, que se pode ir a qualquer parte e achar quem quer que se queira por celular, internet sem fio, laptop, palmtop, ipod, smartphone, iphone e etc.. Do que adianta toda essa inovação se a máquina que comanda isso tudo não evoluiu? Do que adianta termos acesso a qualquer coisa a hora que quisermos, se basta alguém usar uma peça de roupa que os demais não concordem e todos viram homens das cavernas outra vez?
“Mas não são todos”. É verdade, Graças. Mesmo assim esses poucos quando se juntam levam outros muitos, fracos, sem personalidade, que acabam fazendo igual. Vira um grande grupo, uma massa de covardes e são esses que acabam falando pelos demais todos, até pelos que não concordam e não tem nada a ver com a história.
Poisé, vergonha. Chegamos ao século XXI e só as máquinas evoluíram !!!
concordo contigo aninha!!!! pura idioticee...
ResponderExcluirheheheeee...
bjosss
lili